Esquecer e recordar são duas realidades antagónicas que se conjugam na perfeição.
Quantas vezes nos esquecemos de recordar algum compromisso? Ou, pelo contrário, recordamo-nos que nos esquecemos de fazer alguma coisa?
Esta realidade pode ser complexa, mas não confusa...
Confuso é esquecer... Esquecer alguém com quem convivemos durante metade da nossa vida, alguém que pensávamos que era metade daquilo que somos, alguém com quem partilhávamos metade das nossas tristezas e metade das nossas alegrias, alguém que tornava a face negra da nossa vida mais fácil de suportar.
Onde pára esse alguém? Como era o seu rosto?
Recordo-me de não o conseguir esquecer, embora ele faça questão de esquecer-se de me recordar.
É doloroso quando alguém a quem chamávamos irmão foge daquele frágil lugar a quem chamamos coração onde esteve instalado durante tanto tempo, onde tem raízes e cresceu. Foge pela porta das traseiras, sorrateiramente, deixando para trás as raízes bem fundas... Vai para outro lugar, vai destroçar outro coração.
Esse alguém mudou, por isso tenho de recordar aquilo que era e esquecer aquilo em que se tornou. Contudo, recordar magoa. Recordar é remexer nas raízes profundas, nas raízes que um dia hão-de secar...
Tenho que me recordar constantemente de esquecer esse alguém, porque o esquecimento é a fuga mais fácil à dor. Tenho de recordar que a vida continua e não me esquecer que os verdadeiros amigos são aqueles que nunca nos esquecerão e que fazem questão de nos relembrar a toda a hora, a todo o momento.
Joana Carvalho
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