18.11.08

Filosofia de um adolescente

Esquecer e recordar são duas realidades antagónicas que se conjugam na perfeição.
Quantas vezes nos esquecemos de recordar algum compromisso? Ou, pelo contrário, recordamo-nos que nos esquecemos de fazer alguma coisa?
Esta realidade pode ser complexa, mas não confusa...
Confuso é esquecer... Esquecer alguém com quem convivemos durante metade da nossa vida, alguém que pensávamos que era metade daquilo que somos, alguém com quem partilhávamos metade das nossas tristezas e metade das nossas alegrias, alguém que tornava a face negra da nossa vida mais fácil de suportar.
Onde pára esse alguém? Como era o seu rosto?
Recordo-me de não o conseguir esquecer, embora ele faça questão de esquecer-se de me recordar.
É doloroso quando alguém a quem chamávamos irmão foge daquele frágil lugar a quem chamamos coração onde esteve instalado durante tanto tempo, onde tem raízes e cresceu. Foge pela porta das traseiras, sorrateiramente, deixando para trás as raízes bem fundas... Vai para outro lugar, vai destroçar outro coração.
Esse alguém mudou, por isso tenho de recordar aquilo que era e esquecer aquilo em que se tornou. Contudo, recordar magoa. Recordar é remexer nas raízes profundas, nas raízes que um dia hão-de secar...
Tenho que me recordar constantemente de esquecer esse alguém, porque o esquecimento é a fuga mais fácil à dor. Tenho de recordar que a vida continua e não me esquecer que os verdadeiros amigos são aqueles que nunca nos esquecerão e que fazem questão de nos relembrar a toda a hora, a todo o momento.
Joana Carvalho

11.11.08

Pensamentos de Sonhador

O mundo gira, o tempo passa, o relógio não pára... Contudo, o homem permanece alheio ao passar dos dias, dos meses, dos anos, da vida...
A comprovação deste facto resume-se a um simples ditado popular: "A vida são dois dias". Velho ditado que caracteriza tão bem a mentalidade presente.
Será que o homem anda perdido? Será que perdeu a noção do tempo?
A vida não se resume a dois dias, mas sim a milhares de dias que deviam ser vividos em plenitude, tendo em conta os que nos rodeiam, numa busca do inalcançável sonho da felicidade plena.
Sonho... O Homem já não sonha. Limita-se à enfadonha realidade sem a tentar colorir ou personalizar com tudo o que tem para dar, essa infinitude de qualidades (e defeitos) que compõem o ser humano.
Apenas uma palavra vagueia na minha mente: vazio. O Homem tornou-se vazio.
É necessária a mudança! É necessário despertar da confortável ociosidade em que nos instalámos! É necessário apelar ao sonho, pois "o sonho comanda a vida" (ou pelo menos permite viajar para além da finitude da realidade).
Só assim o homem voltará a ter consciência da ininterrupta rotação da Terra, voltará a encarar a vida como uma aventura fantástica cheia de objectivos que nos levam a avançar e de obstáculos que estamos dispostos a ultrapassar. Só assim o Homem voltará a ter esperança!
Tudo isto é um sonho de esperança do qual eu não quero acordar porque, se tal acontecer, então constatarei que já passaram mais umas horas da minha vida e eu... E eu não tenho um minuto a perder!
Joana Carvalho