4.2.09

Vida, razão de viver?

Será que podemos dizer, nos dias que correm, que vivemos? Não se tratará mais de um caso de sobrevivência? O que significará realmente a vida? Será apenas mais uma dimensão que estamos obrigados a transpor? Ou é apenas algo que está predestinado a toda a matéria viva?

Tantas perguntas e tão poucas respostas! Incrível como todo o nosso dia, rotina e hábitos fazem transparecer as nossas absolutas certezas e convicções acerca deste estado ao qual estamos confinados. Mas, no fundo, o que sabemos nós sobre aquilo que nos rodeia? Ou até mesmo sobre o que somos?

Pergunto-me se ninguém retira nem que seja um segundo do seu valioso tempo para pensar nisso! Aliada à nossa condição humana, deparamo-nos com a realidade de que somos efémeros mas no entanto, na correria desmedida do dia-a-dia, nem por isso parecemos preocupar-nos com isso. Resignamo-nos à nossa condição enquanto ser vivo? Ao nosso destino? Então nesse caso pergunto: Qual será então esse mesmo destino? Viver?

A vida parece-me um termo não muito apropriado à nossa condição. Intitulamo-nos uma espécie que se diferencia por completo do resto dos animais mas, no fim de contas, somos isso mesmo. Não passamos de animais caminhando sobre a terra. Nesta, lutamos todos os dias pela sobrevivência, diariamente lutamos por comida, abrigo, hierarquia dentro da espécie e até mesmo no que toca á reprodução . Então, porque partilhamos tanto este interesse em nos distinguir dos restantes animais se nos regemos exactamente pelos mesmos instintos que estes? Porque nos foi atribuída uma maior inteligência?

Quanto à inteligência, considero-nos o ser vivo mais atrasado uma vez que, em vez de usufruirmos desta mesma dádiva para algo benéfico, utilizamo-la para nos auto infligirmos, assim como para destruir tudo aquilo que nos rodeia.

Assim, sem mais rodeios, resumo o ser humano à sua derradeira pequenez e insignificância, nivelando-o ao patamar de qualquer outra espécie da qual se julga superior. Ainda assim, pergunto: Será que somos nós que ditamos as leis da nossa vida ou é exactamente o inverso?

Ana Sofia Milheiras Ramos