A escrita completa-me, a leitura prende-me, a vida aborrece-me… Quero viver neste mundo imaginário das letras, palavras e frases onde tudo é irreal; onde eu consigo controlar o passado, presente e futuro; onde paro, retrocedo e volto a avançar.
O controlo é essencial, o controlo leva-me à demência… O que quero afinal?
A minha vida não passa de um livro em que muitas vezes dou erros ortográficos incorrigíveis, não consigo pôr fim a parágrafos compridos, onde é difícil mudar de capítulo.
A minha vida é como um canal de televisão que passa no meu mundo. Tento mudar de canal: não quero assistir a novelas mexicanas ou a programas aborrecidos mas o comando teima em não funcionar. Quero aumentar o volume das palavras de amizade e amor, retirar o som aos anúncios enganadores, mas, mais uma vez, o comando teima em não funcionar.
Pilhas… Não vale a pena carregar com mais força nos botões, é óbvio: preciso de pilhas, objectos pequenos e insignificantes que dão energia, que levam o teimoso comando a funcionar.
Quem são as pilhas do meu comando? Quem dá energia ao meu viver?
Não quero saber… Quero controlo, quero que o comando funcione, mas só depois… só depois deste programa acabar!
Adolescência…